Domingo, Janeiro 25, 2004






Sempre demorei um tempo para me acostumar com a nova idade toda vez que faço aniversário.
Demoro alguns dias, as vezes algumas semanas para me acostumar com os novos dígitos que agora ajudam a me identificar.
Atribuo parte desta dificuldade à maneira com que vivo cada idade da minha vida. Tento viver cada idade, cada ano, como se fosse o melhor. Assim repito para mim mesma muitas vezes a idade que tenho, como que para me lembrar que o tempo está ai e eu estou vivendo ele. Não quero olhar para trás e pensar "tal idade passou em branco".
Isso pode ser bem observado em uma frase da Clarice Lispector que nos últimos anos é o meu guia: "Não troque o dia de hoje pelo de amanhã. Se você se sente infeliz agora, tome alguma providência agora, pois só na seqüência de agoras é que você existe."
Deste modo vou vivendo.
Também é interessante observar que viver cada idade nunca significou para mim compartilhar dos estereótipos desta idade. Assim, não era porque eu tinha determinada idade que agia de determinada maneira. Também, não fui de ceder fácil às pressões do "grupo". Sempre dei muito valor a minha individualidade e com o tempo as pessoas aprenderam a respeita-la.
O fato é que fim do ano passado fiz 20 anos e desta vez a mudança de idade se apresentou com um significado diferente para mim.
Como disse anteriormente, demorei um pouco para me acostumar com a nova idade. Mas na passagem de ano, uns quinze dias depois de ter feito aniversário percebi o que havia acontecido: deixei, oficialmente, de ser adolescente.
Essa reação chega a ser engraçada no meu caso, já que estou na universidade a três anos, um lugar marcadamente adulto, e convivêndo com pessoas, em geral, mais velhas que eu.
Foi interessante em uma derradeira tarde de dezembro parar para pensar e perceber as pessoas da minha idade, e que convivem comigo, como jovens adultos. Pensar em mim mesma como um adulto e ficar encantada com todas as possibilidades que desta nova condição.
Ser levada a sério como um adulto. Estou a tanto tempo me preparando para isso e agora, com uma simples mudança de números, finalmente isso parece real.
Cabe a mim, à partir de agora, trabalhar todas essas novas possibilidades no sentido de construir uma identidade com elementos de um mundo adulto.
Só espero que as responsabilidades que estão advindo com a idade não façam com que eu perca a maneira leve com que encaro a vida.


O Poeta Aprendiz

Ele era um menino
Valente e caprino
Um pequeno infante
Sadio e grimpante.
(...)
Saltava de anjo
Melhor que marmanjo
E dava o mergulho
Sem fazer barulho.
No fundo do mar
Sabia encontrar
Estrelas, ouriços
E até deixa-dissos.
(...)
Por isso fazia
Seu grão de poesia
E achava bonita
A palavra escrita.
Por isso sofria.
Da melancolia
De sonhar o poeta
Que quem sabe um dia
Poderia ser.

Vinicius de Moraes

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 10:57 AM

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Sábado, Janeiro 24, 2004



Salvador respira Carnaval.
Talvez esta possa parecer uma consideração óbvia. E é.
Mas mesmo assim é interessante perceber esta peculiaridade da capital baiana.
Salvador não respira Ano novo. Também não respira nem inspira Natal.
Salvador respira carnaval.
Assim como todos os seus habitantes e turistas. Lá todos respiram Carnaval.
Isso não quer dizer que os baianos não comemorem o Natal e o Ano novo. Longe disso. Mas a impressão, que ficou para mim, é que tudo lá termina em Carnaval. Parece que o Natal e o Ano novo em Salvador não são nada mais que aquecimentos para o Carnaval.
Foi interessante tranformar o meu fim de ano em uma espécie de contagem regressiva, não para 2004, mas para os três dias de festa que precedem a quarta-feira de cinzas e, consequentemente, a quaresma.
O mais interessante de tudo é que, para mim, o carnaval é sempre uma data distante do Ano novo. Aliás sempre gostei mais do ano novo do que do carnaval.
Mas enfim, como uma boa brasileira na Bahia me revesti de Carnaval para dar as boas vindas ao ano, então, vindouro.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 1:06 PM

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Domingo, Janeiro 18, 2004



"Eu fico com a pureza da resposta das crianças: é a vida é bonita e é bonita."

Subo à cobertura para observar o céu. Mas hoje o objeto dos meus olhos não é o brilho das estrelas ou a Lua. Aliás a Lua, que esta noite tem apenas metade de sua face beijada pelos raios solares, se esconde atrás de uma nuvem como que dizendo aos homens que, hoje, o brilho da noite é deles.
Venho observar essa invenção chinesa que através dos anos vem iluminando os réveillons pelo mundo.
Por muitos anos meus sentidos vem sendo anestesiados por toda a tecnologia. Com o passar do tempo venho perdendo a capacidade de me impressionar com as belas coisas feitas pelos homens. O que me interessa é apenas a velocidade.
Não foi diferente com essa genial mistura de pólvora e corantes em explosão. Há muito tempo não via a menor graça na queima dos fogos de artifício. Pelo contrário. Achava um risco desnecessário de se correr. O risco de na explosão da pólvora alguém se machucar.
Porém agora... Nesta passagem de ano me surpreendo olhando encantada para o céu. Fui enfeitiçada pela exposição de cores e formas que dão o brilho do céu. E assim foram os primeiros vinte minutos do ano na Báia de Todos os Santos. Minutos de esperança por um ano melhor, e minutos de nostalgia pelo encanto da infância perdido e, momentaneamente, recuperado.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 9:07 AM

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Sábado, Janeiro 17, 2004



"(...) amar o que o mar trás a praia
E o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou preciso de amor, ou simples ansia? (...)"
Trecho do poema Amar do escritor modernista Carlos Drummond de Andrade.

O mar a bater na rocha. Tanto bateu que ele virou areia. Muitos milhões de anos depois e aqui estou eu, o pé a roçar na rocha transformada em areia úmida e banhada pelo mar. Caminho em um ritmo agradável, sinto que meu corpo está em sintonia. Vou caminhando longamente a beira-mar. Ápos muitos dias de intensa convivência familiar, estou sozinha. Estou sozinha e feliz. O barulho delicioso do mar quebrando na praia. É fim de tarde. O Sol está deixando o céu vagarosamente cedendo espaço a Jaci. Com certeza foi um belo pôr-do-sol, contudo estou completamente absorta em meus pensamentos e na paz do momento. O pôr-do-sol, as poucas pessoas que frequentam a praia neste momento... tudo isso são meros detalhes na paisagem. Vou caminhando deixando a água, por vezes, me atingir. Estou completamente relaxada, tranquila... em paz. O nome deste lugar que me fez tão bem é Aracaju, capital do estado de Sergipe, ao nordeste deste país que tanto adoro... Brasil.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 1:03 PM

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Domingo, Janeiro 11, 2004



No azul escuro do manto negro celeste vejo milhões de pontos brilhantes. Estou buscando estrelas. Elas estão a milhoes de anos luz daqui e mesmo assim conseguem me tocar. Sua luz não apenas toca meus olhos como também meus sentimentos. Olhando para o céu desejo paz, liberdade... quão livres parecem as estrelas, tão pequeninas e perdidas na imensidão desconhecida do espaço. Mais proximas estão as nuvens que apressadas passam sobre mim ofuscando, momentaneamente, a luz das estrelas. Sobre meu corpo sinto bater leve a brisa que sopra do mar. Este está separado de mim por algumas dezenas de metros. Posso vê-lo, posso sentir seu frescor, porém não posso ouvi-lo. O que ouço é o barulho da cidade. No céu as estrelas continuam a brilhar indiferentes a minha presença. Aqui, na Terra eu, humildemente, continuo a buscar estrelas.
Feliz Aniversário Juliana e Karina!! Vocês são muito especiais!!! Felicidades!

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 10:27 AM

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Sábado, Janeiro 10, 2004



"Hoje entendendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o póprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos, e não simpelemente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. Não há como não admirar um homem -- Costeau, ao comentar o sucesso do seu primeiro grande filme: "Não adianta, não serve para nada, é preciso ir ver". Il faut aller voir. Pura verdade, o mundo na TV é lindo, mas serve para pouca coisa. É preciso ir tocá-lo." Trecho do livro Mar Sem Fim do velejador Amyr Klink.

* Primeiro dia de viagem. Estamos desde as 5:00 hs da manhã na estrada desvendado o centro do país. Saimos do sul do Brasil. Nosso destino é o nordeste. São 11:30 hs da manhã, já respiramos ares paulistas. Ares bastante humidos por sinal, já que a nossa companheira constante durante todo este estado foi a chuva. Devo admitir que, apesar de conhecer os perigos de uma viagem nestas condicões, me agrada viajar com chuva. Até este momento apenas uma parada foi feita e 600km percorridos. A terra vermelha, característica de meu estado de origem a muito ficara para trás. Contudo, o que a paisagem desta parte de Minas, que agora observo da janela do carro, me lembra é a paisagem familiar do sul do país. O relógio marca 12:00 hs, e em uma placa posso ler S.S. do Paraíso, Minas Gerais. Hora do almoço.
* O Sol só mostrou sua face ao fim do dia, fazendo um luminoso fim de tarde nas serras mineiras! O Sol agora toca com seus raios as folhas das árvores mostrando todo o verde exuberante da Mata Atlântica, a vegetação que recobre a serra. A visão da Mata Atlântica só é interrompida pelas cidades e algumas plantações de eucaliptos. Outras culturas vegetais não foram registradas por mim durante o percurso. Já ultrapassamos a marca do 1.100km de estradas percorridas, isso as 19:00 h. A bela capital mineira ficou para trás há algumas horas e uma neblina insistente cobre da serra com sua branca cortina de nuvens. Avistamos um trem com seus muitos vagões cheios de um minerio escuro. Até a noite ainda temos muito o que andar.
* Pernoitamos em uma cidade chamada Coronel Fabriciano que deixamos as 4:00hs da manhã de terça-feira 23/12/2003. Caras de sono e a escuridão da noite são as únicas coisas que eu vejo com minhas retinas cansadas, ainda se recuperando do pouco sono. Paramos para tomar café da manhã com o dia já claro. Obviamente, não podiamos deixar Minas sem antes saborear um delicioso e tradicional pão de queijo acompanhado de um também tradicional cafezinho mineiro. Agora já mais desperta vou observando a paisagem embalada pelo som de um CD, já que as radios comerciais a muito deixaram de ter sinal por estas serras. Meus doces devaneios são interrompidos por um solavanco no carro. Ao encostarmos o que vejo é um pneu no chão e muitos minutos extras perdidos. Não que a troca de pneus tenha demorado. Nada disso. As mãos habilidosas de meu pai realizaram a tarefa com rapidez. O que realmente demora é a nossa procura por um outro pneu de step, produto indispensável, visto que ainda faltam muitos quilômetros para rodar até o nosso destino, e as notícias que possuimos são de que vários destes quilômetros estão bastante deteriorados. Na falta de um pneu novo estamos agora parados em uma borracharia, esperando que o pneu furado seja "remendado". Aqui, a terra já virou areia e o clima está quente. O nome da ciade é Itaobim, Minas Gerais. Passou das 11:00 hs da manhã e desde que saimos de Londrina foram rodados 1,630 km.
* Aos poucos a Mata Atlântica foi sendo tomada pela caatinga. O ar foi ficando seco. A paisagem se encheu de pequenos coqueiros e grandes cactos. Estamos na Bahia e se ontem a chuva nos acompanhou a maior parte do percurso hoje ela apareceu apenas por alguns minutos no fim da tarde. No caminho o que vemos são crianças pedindo esmolas e vendedores ambulantes que simplesmente se jogam em cima dos carros na ansia de vender seus produtos. Muitos quilômetros depois chegamos a Salvador. A hora eu não sei precisar pois o horario de verão não é o vigente aqui. Mas já era noite. O Sol há muito já havia deixado o céu cedendo seu lugar a Lua, às estrelas, ao farol dos carros e, mais adiante, às luzes da cidade. Salvador é uma grande e bela cidade. A noite suas luzes realmente impressionam e contrastam com o que vimos no interior do estado até então. Porém etavamos preocupados demais em encontrar o endereço procurado não prestando muita atenção na arquitetura da cidade.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 1:14 PM

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Alguns Pensamentos by _Maga

*Freqüência dos posts: Os posts deste blog são atualizados uma vez por semana, geralmente aos domingos

*Pensante:
Marcela Ortolan
*Nasceu em:
Pato Branco-Pr 14/12/1983
*Morou em:
Mariópolis-Pr (até 02/1997); Pato Branco-Pr (até 12/1999); Morrinhos-Go(até 02/2001); Goiania-Go(até 03/2001)Passou temporadas em Mauá da Serra-Pr (entre 10/2002 e 06/2004) e Xanxerê-Sc (entre 06/2004 e 04/2005) e Ponta Grossa-Pr (entre 04/2005 e 10/2006).
*Reside em:
Londrina-Pr
*Ocupação:
Psicologa e aprendiz da vida...



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