Domingo, Fevereiro 29, 2004
Notas musicais se perdem no ambiente e impregnam a casa com seu humor. Lá fora o astro maior do nosso sistema tudo ilumina. O céu resplandece em um azul límpido, pelo menos é o que posso ver entre as verdes e altas copas das árvores que cercam a casa. Os raios do Sol, quando tocam o corpo do seres que a ele se expõe, produzem um sensação agradável e parecem deixar o clima mais alegre. Faz-se manhã e as casas ao redor trabalham. Mãos femininas, ora úmidas pela água, ora quentes pela proximidade do fogão, deixam cheiros maternos por onde passam. Mãos masculinas, habilidosas no tratar com a madeira, dão novas formas as casas que necessitam de reparos. Em um quintal uma flor, de cor vibrante e forma exótica, exibe sua beleza pouco usual chamando a atenção de quem por ela passa. É a beleza digna das coisas breves. Como nós.
"Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão."
Trecho da poesia Memória de autoria de Carlos Drummond de Andrade
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 4:01 PM
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Sábado, Fevereiro 28, 2004
"a noite
me pinga uma estrela no olho
e passa"
Poesia tiradada do livro Caprixos & Relaxos do escritor Paulo Leminski
Saio para caminhar. O lugar onde passarei os próximos minutos é uma pequena quadra de cimento cercada de grandes eucaliptos por todos os lados. A copa destes formam uma perfeita moldura verde e retangular para a tela do céu. O autor desta é a natureza.
Quando começo a caminhar o que vejo pintado sobre a tela é o azul puríssimo do céu em um fim de tarde de verão.
Em um espaço tão exíguo, meus passos apressados (uma sucessão de contatos entre o tênis e o cimento) vão produzindo um toc toc. Este é o ritmo no qual os meus cabelos, presos em um rabo-de-cavalo, balançam.
Em minha cabeça ecoam pensamentos perdidos... são trechos de músicas, poesias declamadas à exaustão, conversas imaginarias travadas com personagens reais... no palco de minha mente eles se revezam ainda mais rápidos que o movimento dos meus pés. Quando ponho-me, novamente, à obeservar a tela celeste, o que vejo pintado é uma bela noite! O céu pintado de negro, enfeitado com respingos cintilantes, as estrelas, e coroado em um canto com a beleza inatingível da Lua. Esta última, nesta noite, nos brinda apenas com um terço de sua superfície, porém o seu brilho forma ao redor dela um circulo perfeito de luz.
Ouço os grilos e as cigarras em sua sinfonia noturna.
Macios são os meus passos sobre a grama avançando em direção ao aconchego do lar.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 2:07 PM
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Domingo, Fevereiro 15, 2004
Quer coisa mais dolorida que saudades? Tá, eu sei... são muitas as dores dos homens... Como diria Drummond: "Vistes as diferentes dores dos homens. Sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso, em um so peito de homem sem que ele estrale."
Porém, eu estou falando daquelas dores que quando chegam os sintomas são uma pontada no coração (que depois fica apertado) e olhos marejados...
Isso é saudade. E é o que tenho sentido toda vez que abro minha caixa de e-mail e vejo noticias de meus amigos tão queridos. Uma saudade que me invade, me assola, me tira o fôlego, me deixa sem palavras...
A distância entre nós é longa... o tempo sem nos vermos também...
No momento não há nada que possa fazer para diminuir a dor. Chorar? Quem me dera... as lágrimas há muito secaram nestes olhos que há tempos não cruzam os vossos.
Cada e-mail é uma felicidade, pois as notícias me aproximam de vocês caros amigos, mas é, ao mesmo tempo, uma pontada dolorida no meu pobre e tolo coração que há muito sofre.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 8:49 PM
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Sábado, Fevereiro 14, 2004
Família reunida, ou quase, no quarto. Meu pai ao computador confere seus e-mails lendo-os em voz alta compartilhando conosco notícias de amigos outrora próximos, hoje distantes.
Minha irmã mais nova sentada ao lado do computador olhando para a tela e mudando de quando em quando a frequência no rádio para encontrar a música que mais lhe agrada.
Eu e minha mãe, sentadas na cama, tomamos um delicioso chimarrão feito com erva-mate nova, bem verdinha e cheirosa.
Lá fora chove. Chove deliciosamente. Uma chuva espessa.
Esse quarto nunca pareceu tão aconchegante.
Agora meu pai olha a previsão do tempo no computador enquanto a minha irmã mais nova arruma a sua mala. Amanhã ela viaja para Londrina pois sua aula recomeça na segunda-feira.
Como me sinto? Não sei... minhas sensações estão simplemente diluidas no aconchego familiar.
Os assuntos que tocamos são leves... ou mesmo os problemas parecem ter menor importancia daqui...
A chuva continua a cair lá fora e eu penso como seria bom poder congelar este aconchegante momento.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 5:00 PM
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Domingo, Fevereiro 08, 2004
E aqui estou eu na casa de meus pais em mais um fim de tarde de um domingo de verão. Ao contrario do que se espera desta época do ano hoje fez frio. Ao contrário do que se espera do meu humor em um dia tedioso como hoje, neste momento estou me sentindo muito bem. Estou me sentindo leve. No ambiente a penumbra do fim de tarde toma conta do quarto. Ouço uma radio comercial onde as músicas variam de ritmo. Essa combinação parece mágica!
Após alguns dias de angustias, respiro novamente aliviada... De concreto, tenho poucos alicerces para a minha alegria... De subjetivo sei que minha vida hoje melhorou um pouquinho, e que agora sim posso concretizar alguns planos para fazer um 2004 melhor.
Não tenho pretenções de felicidade eterna. Quero apenas manter uma alegria em viver... Apenas não me sentir tão perdida no mundo.
O fato é que ápos alguns dias "fora de orbita" aqui estou eu de volta ao mundo, com um sorriso no rosto e muita coisa para melhorar...
De resto, sinto falta de alguns amigos, as férias seram longas e, espero, alegres e produtivas.
"Nâo aprofundes o teu tédio.
Não te entreges à magoa vã.
O próprio tempo é bom remédio
Bebe a delícia da manhã."
Manuel Bandeira
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 7:37 PM
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Sábado, Fevereiro 07, 2004
Faz tanto tempo que não escrevo nada que nem sei o que falar. Ao mesmo tempo sinto uma imensa necessidade de me expressar. Sempre senti muita necessidade de comunicação. Todavia, poucas foram as habilidades que adquiri para faze-lo. Nesta paixão pela comunicação sempre deixei que esta me invadisse. Em se tratando de comunicação, em geral, sou um agente passivo. Adoro música, ouço música sempre que posso, porém não sei tocar nenhum instrumento musical, não sei fazer música, e o único instrumento que aprendi a tocar nesta vida, minhas próprias dobras vocais, o faço sem nenhuma tecnica e sempre torturando o ouvido de quem tem a infelicidade de estar por perto. Assisto filmes, televisão e peças de teatro, porém não sei atuar. Ler é um dos meus passatempos favoritos. Não só passatempo como, na condição de estudante, é o meu principal instrumento de trabalho. Contudo sempre apresentei uma enorme dificuldade em articular palavras escritas (sendo este blog a mais importante tentativa de lidar com esta dificuldade). Ah.. é verdade... devo admitir que existe uma forma de comunicação que uso, e muito: é a fala. Admito: falo bastante. Frequentemente mais que o necessário. Já diz a música do Legião Urbana: "fala demais por não tem nada a dizer". Além disso eu, vergonhosamente, vivo tropeçando na minha própria língua. Vou falando, me empolgando, e quando percebo acabo de falar uma frase com a dicção tão distorcida que nem mesmo eu entendo.. enfim, até mesmo ao falar minha comunicação é falha.
Pior agora. Estou em férias. O público é sempre o mesmo e, no momento, temos acesso a praticamente as mesmas informações. Isso me impossibilita de usar com uma freqüência no mínimo satisfatória a minha principal forma de comunicação. E nestes momentos surge um sentimento estranho. Vem uma vontade louca de me expressar... mas desconheço meios. Vem uma vontade imensa de aprender novos meios, mas não existe onde. Poderia tentar aprender sozinha... mas me falta material. Poderia usar materiais alternativos, entretanto nesta casa tudo que soa diferente é fortemente criticado...
Agora estou eu aqui com essa vontade de fazer, com potencial criativo (próprio dos seres humanos) e imobilizada pelas circunstâncias.
Obrigada por permetirem que eu me comunique neste espaço. Obrigado pelo apoio. Peço-lhes desculpas pelos excessos e pela empolgação. De resto Drummond tem algo a nos ensinar...
Sentimental
Ponho-me a escrever teu nome
Com letras de macarrão.
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
e debruçados na mesa todos contemplam
esse romântico trabalho.
Desgraçadamente falta uma letra,
uma letra somente
para acabar teu nome !
- Está sonhando ?
Olhe que a sopa esfria !Eu estava sonhando ...
E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
"Neste país é proibido sonhar."
Carlos Drummond de Andrade
Ps.: Acabo de achar uma frase de consoladora: "Use os dotes que tiver: os bosques seriam muito silenciosos se neles só cantassem as aves que cantam melhor". Henry Van Dyke
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 2:53 PM
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Alguns Pensamentos by _Maga
*Freqüência dos posts: Os posts deste blog são atualizados uma vez por semana, geralmente aos domingos
*Pensante:
Marcela Ortolan
*Nasceu em:
Pato Branco-Pr 14/12/1983
*Morou em:
Mariópolis-Pr (até 02/1997); Pato Branco-Pr (até 12/1999); Morrinhos-Go(até 02/2001); Goiania-Go(até 03/2001)Passou temporadas em Mauá da Serra-Pr (entre 10/2002 e 06/2004) e Xanxerê-Sc (entre 06/2004 e 04/2005) e Ponta Grossa-Pr (entre 04/2005 e 10/2006).
*Reside em:
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*Ocupação:
Psicologa e aprendiz da vida...
E-mail sigopalavras@hotmail.com
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