Domingo, Março 28, 2004



Acordar todos os dias pela manhã. Olhar pela o céu com aquele ar indeciso da manhã. Tomar um banho quente para que a água leve consigo os resquícios do sono.
Olhar na sala os primeiros raios de sol da manhã entrar pela janela com seu calor incipiente impregnando um animo novo ao meu corpo e ao meu olhar.
Vestir-me, desejar um bom dia às minhas irmãs e sair para a rua para desvendar com animo renovado as surpresas e as rotinas da vida.
Como um apaixonado indo à sua amada eu vou em direção ao saber, à psicologia, aos amigos...
Como um apaixonado indo à sua amada eu vou em direção à vida.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 7:22 PM

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Sábado, Março 27, 2004



Uma grande árvore, imponente com seus grandes galhos cheios de folhas verde-escuras, se faz ainda mais presente pela sua sombra tão apreciada por nós que, depois do almoço, sentamos por ali nos deixando acariciar por sua generosidade maternal.
Olhos distraídos, ora a acompanhar os passantes sem muito interesse, ora a olhar o olhar do amigo em tom de compreensão, ora a encarar com compenetração o chão que, apesar da atenção recebida, continua indiferente a nossa presença.
É bom estar de volta.
É bom ouvir as vozes afobadas se sobreporem em discursos sem lógica, cada qual querendo expressar a sua própria opinião, falando sempre mais alto na tentativa de se fazer ouvir para, minutos depois, nos encontrar fitando o nada em uma falta de assunto que pouco antes parecia algo dos mais improváveis de acontecer. Mas até mesmo esse silêncio é bom. É um silêncio amigo. Um silêncio presente. Um silêncio compreensivo, que nos faz lembrar de nossa pequena condição humana e amiga.
Eu disse é bom estar de volta? Permitam-me uma correção. É ótimo estar de volta.

"É bom senta-lo novamente ao lado,
com os olhos que contém o olhar antigo
sempre comigo um pouco atribulado
e como sempre singular comigo."
Trecho do poema "Soneto do amigo" do poetinha Vinicius de Moraes

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 3:20 PM

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Domingo, Março 21, 2004



Sento-me no ônibus velho e lotado que vai a Londrina. Recosto-me no banco e deixo meus olhos repousarem na paisagem. Soltos, meus pensamentos se perdem entre as montanhas que se banham ao Sol do entardecer.
Estou em paz, mas meus pensamentos recordam vários outros sentimentos.
Lembro da casa de meus pais no seu agradável silêncio, com todas as suas peculiaridades, e o que essa casa me fez redescobrir: foi nela que aprendi a ser filha novamente. É triste pensar em deixar minha mãe após tantos dias juntas. A intimidade proporcionou-nos uma fina sinfonia.
Penso em mim mesma caloura. No meu primeiro dia de aula na UEL. Me sentia tão perdida... mas ao mesmo tempo havia em mim uma segurança, uma segurança interior, uma paz interna... como me invejo naquele tempo. Hoje, véspera de retorno ás aulas, já perdi varias noites de sono só pensando na volta as aulas. Uma ansiedade invade meu sono trazendo com elas medos já superados muitas incertezas e uma insegurança... insegurança.
Agora sentada neste ônibus e a meio caminho de tudo, tento me lembrar em qual espelho esqueci minha segurança.

"Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos."
Trecho do poema Noções de Cecília Meireles

Feliz Aniversário Psico! Felicidades.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 2:51 PM

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Sábado, Março 20, 2004



"Si apud bibliothecam hortulum habes, nihil deerit" Cícero (Que mais te falta, se tens uma biblioteca que dá para um jardinzinho?)

Esta frase reflete um pouco como tem sido a vida na casa de meus pais nestas férias. Não que nós mantenhamos uma biblioteca em casa. Longe disso. Mas é bem verdade que livros e revistas tem sido meus companheiros constantes. Assim como as flores, a grama e as arvores que me fazem companhia neste período de repouso e compõe nosso pequeno jardim. É um ambiente de tranqüilidade do qual sentirei falta...
Pensando bem, nem tanto... afinal (guardadas as devidas proporções) que mais é a UEL que uma biblioteca que dá para um jardim?
Feliz é a vida entre livros e flores.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 2:59 PM

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Domingo, Março 14, 2004



Dança da Chuva

senhorita chuva
me concede a honra
desta contradança
e vamos sair
por esses campos
ao som desta chuva
que cai sobre o teclado

Paulo Leminski

Que magia é essa que torna os dias de chuva tão especiais?
Os dias de chuva não se resumem à àgua que precipita do céu. É um dia sem Sol, como que um pedaço da noite o tivesse invadido ao mesmo tempo em que o céu é tomado por uma luminosidade intensa que fere as retinas mais sensíveis.
O tempo nublado tinge tudo com tons cinzas e deixa o ar com um "quê" indecifrável que convida a introspecção.
Um dia de chuva é um dia reflexivo. É um dia em que todos têm pressa em voltar para casa e se alongam para sair. Tudo bem: os atrasos em dias de chuva são tão desculpáveis quanto previstos...
Nos dias de chuva é no aconchego do lar que as pessoas se encontram. Afinal de contas não tem dia melhor para ler um livro, ver um filme, ouvir músicas calmas, estudar uma poesia ou, simplesmente sentar-se a janela e ficar olhando os pingos molharem o vidro, as plantas, os carros, as pessoas, os guarda-chuvas e, principalmente as almas. Estas últimas a chuva não se contenta em apenas molhar, ela também as encharca de nostalgia.
Hoje é um dia de chuva.
É também um dia de frio.
Alias, o primeiro deste mês de março; mas isto já são outras águas.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 7:42 PM

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Sábado, Março 13, 2004



O céu noturno está vazio de luar e estrelas, na escuridão sem fim da noite.
Está carregado de nuvens e de chuva que cai em pingos grossos a tirilintintar em uma agradável sinfonia. É a noite mais molhada que o mar.
Mas que importa?
Em um quarto qualquer me encontro e nem o escuro nem o molhado fazem parte do cenário, apesar de o som ser a mesma agradavél sinfonia dos pingos.
A chuva, com suas mãos geladas, me impede de sair.
Tudo bem.
De presente ela me proporciona um delicioso encontro com o poetinha, Vinicius de Moraes.
Seu contar parece mais um fluxo de consciência, impregnado de uma inocência infantil, me conta histórias que nem sempre são recomendáveis à leitura das crianças.
Cativou meus dois olhos castanhos que não querem mais parar de deslizar sobre suas palavras.
Mas param. Param porque, agora, o que quer deslizar são meus dedos sobre o teclado para descrever o momento presente em toda a sua emoção.
Param porque a noite lá fora continua a não importar na presença das suas deliciosas palavras: só elas bastam para preencher o meu ser neste momento.

"(...) pego um bloco de papel e vou sentar-me no grande salão. Sinto necessidade de escrever, o quê, não saberia dizer.
Vontade, no entanto, de ficar assim sentado, com caneta e papel, espera de alguma coisa.
Não disse alguém que o homem escreve para matar a morte?"
Trecho da cronica "Mistério abordo" de Vinicius de Moraes

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 2:20 PM

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Domingo, Março 07, 2004



"É um caco de vidro, é a vida, é o sol, É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol/Sao as águas de março fechando o verao, É a promessa de vida no teu coração"
Trecho da canção "Águas de março" de composição de Tom Jobim.

E aqui estou eu novamente, em uma tarde de pleno Sol, sentada no quintal da pequena casa de madeira pintada em azul e branco. Apesar do Sol, estampado no céu de um azul estonteante, o vento é fresco denunciando o mês de março e, com ele, o fim próximo do verão. Uma ameixeira deixa suas folhas secas caírem suavemente, dançando ao sabor dos ventos, num vôo derradeiro em direção ao chão, pontuando o gramado com respingos de outono. Com suas belas flores cor-de-rosa uma planta empresta romantismo a cena e faz par com uma azaléia postada do outro lado do jardim.
Penso que a noite a Lua será cheia e com sua face redonda e pálida arrancará suspiros de algum apaixonado que atreva-se encará-la.
Penso, ainda, no quanto este cenário bucólico me inspira tranqüilidade. Demorei a acostumar-me com esta paz que, anteriormente, me dava conta de uma angustiante solidão. Agora (longe da correria ilogica que ouso chamar de vida) vejo que tornei-me mais terna e humana. Assusta-me pensar na possibilidade de, novamente, um calendário anestesiar-me os sentidos e as emoções, embrutecendo, mais uma vez, o meu olhar.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 7:52 PM

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Sábado, Março 06, 2004



"Quando um pensamento nos domina, nós o encontramos expresso em todos os lugares, nós o cheiramos até no vento". Thomas Mann (Frase retirada do blog do kazuo)

Hoje eu acordei sinceramente estranha. Andando morosamente pela casa sem encontrar um lugar que me acomode.
Tento a leitura de um livro, que já começa sem vontade, discordo da opinião do autor, não sinto a menor emoção ao ler a história... uma tarefa fadada ao fracasso.
Já me ocupei de tarefas domesticas. Já ouvi música. Já desisti de tudo para me sentar preguiçosamente em uma cadeira no lado externo da casa. Fico lá, sentindo uma deliciosa brisa me tocar enquanto o céu decide se fica nublado ou se deixa irradiar por si a luz do Sol. Eu fico fitando o ar distraidamente, procurando nele respostas que, simplesmente, não foram feitas.
Tudo isso por causa de um sonho. Um sonho bom, que impregnou o meu acordar de uma sensação agradável e tornou o resto do meu dia estranho: trouxe dúvidas onde antes só havia certezas.
O ar continua sem respostas, e o céu ainda não se decidiu: oscila enquanto joga luz e sombra em nossas vidas.

"Tinha vontade de não mais pensar, de não mais amar; queria, contudo, viver, por prazer físico, pela sensação material pura e simples de viver". (pg. 180)
Trecho do livro "Triste fim de Policarpo Quaresma" de Lima Barreto.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 2:22 PM

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Alguns Pensamentos by _Maga

*Freqüência dos posts: Os posts deste blog são atualizados uma vez por semana, geralmente aos domingos

*Pensante:
Marcela Ortolan
*Nasceu em:
Pato Branco-Pr 14/12/1983
*Morou em:
Mariópolis-Pr (até 02/1997); Pato Branco-Pr (até 12/1999); Morrinhos-Go(até 02/2001); Goiania-Go(até 03/2001)Passou temporadas em Mauá da Serra-Pr (entre 10/2002 e 06/2004) e Xanxerê-Sc (entre 06/2004 e 04/2005) e Ponta Grossa-Pr (entre 04/2005 e 10/2006).
*Reside em:
Londrina-Pr
*Ocupação:
Psicologa e aprendiz da vida...



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