Domingo, Abril 25, 2004


Simplesmente Apaixonada

De repente, um dia
Eu olhei para o mundo
E olhei para mim
E me descobri extremamente apaixonada
pela vida.

E olhei para o mundo
e analisei tudo
o que ele possuía
e que me fizera
por ele apaixonar.

E olhei pro céu
e vi azul, e vi estrelas
e vi a Lua em suas muitas luas
e vi Sol quando vi luz, muita luz
e vi nuvens quando vi chuva
e vi paixão quando olhei para baixo
e me vi.

E olhei para o lado
e vi arvores com suas sombras
e vi flores com suas cores e seus cheiros
e vi esquinas com os seus carros e seus encontros
e vi pessoas com suas solidões e amores
e vi amigos com seu carinho e compreensão
e vi a mim apaixonada pela vida.

E então me apaixonei
pelos cheiros
pela música
pela poesia
e então me apaixonei
pelo papel e
pela palavra
e então me apaixonei em contar
a minha paixão.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 8:45 PM

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Sábado, Abril 24, 2004


"Qualquer coisa que você possa fazer, comece a faze-la. A ousadia tem em sim genialidade, força e magia." Goethe, poeta e escritor alemão, 1749-1836.

Uma oscilante chama derrete a pequena vela vermelha exalando um delicioso perfume de canela que invade o quarto enquanto eu estudo. Um encontro casual com a frase acima, anotada em uma antiga agenda, me afeta e faz com que eu pare para refletir sobre a vida. Sobre a minha vida. Penso em todos os pequenos projetos que há muito acalento e no porquê de não os ter, ainda, realizado. Boa parte deles, apesar de pequenos, eu ainda não tive as oportunidades necessárias para concretizar. Outros destes ainda não amadureceram o suficiente ou o seu momento adequado está por vir. Mas alguns destes projetos já tive, ou tenho, oportunidades para realiza-los e, acabo tristemente de constatar, que não o fiz por comodidade.
Sim, por pura e simples comodidade.
E, pior, faço isso sem perceber, sem consciência da minha ação. O que acontece é que quando estas oportunidades aparecem estou tão envolvida na minha vida burocrática que não permito que os sonhos e desejos aflorem ignorando assim qualquer chance de quebrar a triste rotina de reproduzir ideologias. Neste momento um projeto se criou, amadureceu, e exige ação imediata: tornar-me um ser atuante, produtor da minha própria história.
Hoje dei conta de toda a passividade que existe em mim.
Sinto um cheiro de canela. Olho para o lado e vejo que a chama da vela continua acesa me lembrando que a vida é breve mas que ainda se está vivo e por isso mudando: vivendo eternamente em uma metamorfose pensante.

"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo." Raul Seixas, cantor brasileiro.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 3:04 PM

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Domingo, Abril 18, 2004




Há dias ando com muita vontade de sentar-me embaixo de uma arvore com um livro nas mãos e o pensamento a vagar. Recostar-me no tronco da arvore e nele ficar aconchegada. Sentir a grama macia a servir de repouso para meu corpo relaxado.
E me deixar ali por horas só para curtir esse momento tão especial. Uma arvore, um livro, um gramado e muita imaginação.
Um desejo tão simples, tão fácil, chega a ser ingênuo pensar nisso...
Arvores e gramados vejo muitos por onde passo. Livros então, nem se fala!
Contudo, essa lógica atordoante dos tempos modernos a me dizer o que fazer, como fazer, quando fazer, com quem fazer... quando vejo estou eu, mas um ser humano vivendo no automático, a reproduzir o mundo sem refletir a vida.
Hoje o pôr-do-sol foi maravilhoso. Por alguns momentos algumas nuvens ficaram rosas como algodão doce enquanto o céu logo abaixo dela estava com um belíssimo azul inclassificável!
Ficamos, eu e minhas queridas amigas, a olhar para o céu e refletir sobre a beleza da natureza, a sua fugacidade, e sobre o quanto ela tem a nos ensinar. É só parar e observar. Mas nós não paramos... simplesmente não observamos.
Em compensação olhamos tanto para o relógio...
Tudo bem... estamos todos apenas vivendo de acordo com o nosso tempo.
Hoje eu não matei minha vontade da arvore, do livro, da grama... mas minha lista de vontades foi saciada com um relaxante banho de chuva...

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 11:54 PM

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Sábado, Abril 17, 2004



"Viver é uma arte, um ofício só que precisa cuidado/ Pra perceber que olhar só pra dentro é o maior desperdício/ Por que o amor... pode estar... do seu lado!"
Trecho da musica Do Seu Lado, de Nando Reis

Esta noite o céu está simplesmente rosa. Choverá uma parte do dia e no resto do tempo o dia foi branco. Dias brancos são dias nublados quando tomados por uma intensa luminosidade. O correspondente noturno do céu nublado em um dia branco é o céu rosa.
Ou, talvez, o céu rosa seja outra peripécia da Lua. Da menina Lua sempre tão romântica e sapeca que estando muito assanhada esta noite obrigou as nuvens à formar uma cortina no céu escondendo-a em nome da moral e dos bons costumes. Contudo, as tão timidas nuvens, ficando envergonhadas com as peripécias de sua irmã celeste, emprestam ao céu o tom avermelhado do rubor de suas faces... tão puras!
Mas deixemos as questões celestes para outro momento.
O fato é que era este maravilhoso céu rosa que nos acolhia e fazia inspirar em nós uma musicalidade até então latente, como que nos preparando para aproveitar ao máximo a música que estava nos reunindo ali para ouvi-la.
Milhares de pessoas, milhares de vozes, cantando uma só música, unidos pela mesma emoção, dançando, cada qual à sua maneira, um só ritmo: todos embalados na mesma canção.
Uma energia jovem, revigorante, toma conta de nossas emoções.
Além da canção ouvimos gritos que são a libertação de sentimentos há muito represados e que encontram seu espaço no anonimato da emoção coletiva.
Ao fim de tudo as nuvens resolvem nos presentear mais uma vez com pequenos pingos como se o céu estivesse chorando de felicidade ao ver-nos tão livres e felizes.

"Mas vou ficar aqui até que o dia amanheça/ vou esquecer de mim e você se puder não me esqueça."
Trecho da música Vou Deixar da banda mineira Skank.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 2:14 PM

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Domingo, Abril 11, 2004



Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Trecho do poema Sentimento do Mundo de autoria de Carlos Drummond de Andrade.

Ando estranhamente, intensamente, inspirada nos últimos momentos. A poesia está em mim. Meu corpo transpira poesia... E respira poesia também, pois tudo ao meu redor é poesia.
Ao mesmo tempo é tão difícil escrever algo...
Quão inúteis se tornam as palavras quando se descobre que o mundo fala por si só.
A poesia está no mundo.
O mundo é a poesia.
Certos sentimentos não se deixam capturar por palavras, assim como certas imagens não se revelam quando nos olhamos ao espelho.
Quando a poesia implícita do mundo se explicita ela torna-se simplesmente uma continuação do corpo do poeta.
As palavras calam. O corpo fala.
E quando tudo parece em perfeita harmonia, então ouvimos uma música, vemos um filme, ficamos em silêncio. E a palavra que até agora parecia perdida provoca um torpor no corpo exige uma sonoridade, uma expressão, e a mão transborda de poesia tinta a fora e se derrama em palavras sobre o papel... é o mundo se recriando aos olhos encantados do poeta.

Poesia
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

Carlos Drummond de Andrade

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 3:18 PM

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Sábado, Abril 10, 2004



Como é bom conversar. É pela conversa que as pessoas podem conhecer umas as outras, trocar experiências, impressões, filosofar, rir... Conversar faz parte da vida e nos faz viver melhor. Uma boa conversa pode melhorar o nosso dia, enche-lo de luz, e enriquecer nossas vidas, pois o que aprendemos conversando não morre ali: quando uma conversa nos afeta ela provoca mudanças no nosso modo de pensar e agir.
Eu adoro conversar. Sou fã de uma boa conversa. Contudo quando olho para os lados o que vejo são pessoas cada vez mais distantes entre si.
É só observar os ambientes nos quais ocorrem os encontros sociais. Costumam ser lugares barulhentos onde dificilmente alguém consegue fazer ouvir. Mesmo nos bares, lugar tradicional de conversa, o som ambiente está cada vez mais alto obrigando os interlocutores à berrar para tornar possível a comunicação verbal. Um grupo de amigos resolve se encontrar em casa, um ambiente mais intimo e privativo, ótimo para conversar, e qual a primeira coisa que eles providenciam? Um baralho, claro. Ou então um filme...
Como já disse anteriormente, conversar enriquece. Tenho a impressão de que estamos ficando cada vez mais pobres e temos medo de deixar transparecer pela conversa a nossa pobreza. A maior prova disso é como o silêncio do outro nos atordoa. Não conseguimos encarar o silêncio como um elemento da conversa. O silêncio nos obriga a entrar em contato com nós mesmos. Ele nos afeta.
Talvez evitemos conversar para evitar o silêncio do outro que nos obriga a encarar nossos defeitos sem disfarces.
E que tal mais uma partida de truco? Garçom traga-me mais uma cerveja, por favor, porque ela ajuda a disfarçar o quão pobre eu sou. DJ põe som na caixa, porque minha imaturidade não agüenta ouvir a verdade que o silêncio me grita.
Acabo aqui o meu desabafo. Calo-me agora para que vocês possam pensar sobre isso e mais tarde, quem sabe, vir conversar comigo sobre o que pensam...
Um bom silêncio a todos...

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 2:20 PM

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Domingo, Abril 04, 2004



Uma parca luminosidade invade a sala. Pela janela vejo uma neblina a cobrir a cidade enquanto uma fina garoa chove sem molhar a cidade.
O rádio ligado a me fazer companhia deixa o clima, por si só nostálgico, ainda mais pungente.
O cheiro suave do chá toma conta do olfato e aquece docemente o meu paladar.
Em um dia, em um momento, tão belamente construído como este a palavra escrita também se faz presente. Dias assim parecem ter sido feitos para isto: nós deixar em casa delirando ao sabor dos escritos alheios. Por vezes interrompemos a leitura apenas para ficar observando o dia, o tão saudoso dia, e lembrando de um ponto qualquer do passado que parece se agigantar em importância apenas porquê lá fora a cidade e seus problemas continuam escondidos sob a neblina.
Agora eu compreendo que a mesma garoa que parcamente molha a cidade, molha com muito mais eficácia o espírito dos habitantes da desta.
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Agradeço ao carinho dos leitores deste blog pelo carinho que tenho recebido de vocês através dos comentários. Obrigada a todos. Um beijo.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 4:22 PM

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Sábado, Abril 03, 2004



É um início de noite quente e sem vento daquelas que dá vontade de desprender-se do corpo, que luta contra o calor, e deixar o pensamento voar noite afora.
Nas ruas do centro alguns trabalhadores, há essa hora já atrasados, retornam ao lar para descansar. Outros estão no ápice de sua jornada de trabalho, como os catadores de materiais recicláveis que passam de loja em loja recolhendo, no lixo destas, a sua matéria-prima. Alguns passantes despreocupados também fazem parte do cenário.
Meus passos apressados querem chegar logo em casa. Minha companhia neste momento é a Lua, linda, hoje em sua fase crescente ansiosa por poder mostrar-se cheia, com todo o seu esplendor luminoso sabendo-se rainha do céu e do coração dos poetas. Mas a Lua, ao contrario de meus passos, disfarça bem a sua ansiedade e mesmo incompleta mostra-se bela, intrigante, com seu ar de senhora do tempo.
O meu tempo é pouco. Pouco para apreciar a beleza de minha amiga celeste. Ela continuará lá, noite adentro, intocável desfilando seu esplendor pelo céu.
Eu, bem mais discreta e com bem menos tempo, continuo minha caminhada apressada e opaca, insignificante presença presa ao chão.

Fugaz, com que direito tens-me presa
A alma que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:

E és tampouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética, indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!

Trecho do poema "Soneto à Lua" de Vinicius de Moraes

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 2:19 PM

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Alguns Pensamentos by _Maga

*Freqüência dos posts: Os posts deste blog são atualizados uma vez por semana, geralmente aos domingos

*Pensante:
Marcela Ortolan
*Nasceu em:
Pato Branco-Pr 14/12/1983
*Morou em:
Mariópolis-Pr (até 02/1997); Pato Branco-Pr (até 12/1999); Morrinhos-Go(até 02/2001); Goiania-Go(até 03/2001)Passou temporadas em Mauá da Serra-Pr (entre 10/2002 e 06/2004) e Xanxerê-Sc (entre 06/2004 e 04/2005) e Ponta Grossa-Pr (entre 04/2005 e 10/2006).
*Reside em:
Londrina-Pr
*Ocupação:
Psicologa e aprendiz da vida...



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