Domingo, Maio 30, 2004
O inexplicável porque
Marcela Ortolan
Eu te amo porque todos os dias
sorri para mim de um jeito diferente
mas sempre com o amor presente
e um brilho no olhar.
Eu te amo porque ontem ligaste pra mim
a contar que acabará de ouvir aquela musica...
aquela que há muito não ouvia
e que gostava tanto,
mas tanto, que tinha esquecido.
Eu te amo porque lá fora chove,
faz frio e uma neblina branca
cobre a cidade, e você está aqui, comigo
e seu falar aquece a casa
e seu sorriso ilumina a sala
e seu amor acaricia a mim.
Eu te amo porque meu amor
tem um porquê: você.
Eu te amo porque existes para eu te amar
E eu só existo para amar-te
E se tu não existisses, amor meu,
Eu te imaginaria deste jeitinho,
assim,
e te amaria em sonhos
E se só em sonhos pudesse te amar
eu dormiria eternamente porque
te amo.
Eu te amo por que és amor
E amor dispensa explicações.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 10:50 PM
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Sábado, Maio 29, 2004
"Procura-se um amigo. Não importa se é homem ou mulher.
Basta ter coração, Precisa falar e calar sobre tudo,
saber ouvir, tem que gostar de tudo que é belo e bonito na
natureza, deve ter amor um grande amor por alguém ou
então sentir a falta de não ter esse alguém, deve amar o
próximo e respeitar a dor que o amigo leva consigo, deve
guardar segredos sem se sacrificar.
Pode já ter sido enganado pois todos são enganados. Não
é preciso que seja perfeito nem que seja imperfeito de ter um
ideal, o medo de perda, deve sentir pena das pessoas tristes e
compreender o imenso vazio dos solitários.
Procura-se uma amiga, um amigo que diga que vale a pena
viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo
que bota as mãos nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos
chame de amigo para de ter a consciência de que ainda se vive."
Trecho do livro "Saudades e Outras Estrelas" da escritora londrinense Marisa de Oliveira Valentim
Meus amigos queridos... eu adoro vocês!!! Obrigada por tornar a minha vida tão especial!
Uma música antiga toca no radio. Se ela possui um significado especial para mim? Respondo: não, não possui. Mas a familiaridade de seus sons tornam o ambiente aconchegante.
Pequenas notas que tocam os meus ouvidos, o frio que invade a sala...
Solidão.
Solidão é o que sinto. Hoje eu notei que a angustia que tem me feito recorrer a antigos hábitos que havia abandonado e que retornaram sem explicação, ou melhor, acabam de achar uma explicação na minha solidão.
Sinto uma vontade intensa de conversar. Preciso conversar.
Sobre o quê? Não sei... e que importa?
Preciso é deixar meus pensamentos voarem soltos em uma conversa leve, que passa longe da universidade ou, pelo menos, da burocracia desta.
Hoje eu sinto falta de um amigo.
Não sei porque lhes falo isso hoje... mas me sinto inconsolavelmente sozinha.
Para escapar da solidão faço coisas as quais não gosto e que me fazem sentir triste e ainda mais só.
Ser só não é ser triste.
Mas hoje eu sei que não quero estar sozinha. Preciso de alguém para conversar.
Por favor, solidão, dê-me um tempo e inverno traga paz ao meu espirito.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 1:56 AM
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Domingo, Maio 23, 2004
A poucos dias atrás neste mesmo blog eu cantava o começo do verão. Mais próximo foram os primeiros indícios do outono com seu vento ligeiro a roubar as folhas das arvores para dá-las de presente ao chão.
Hoje (muitos casacos e uma gripe depois) estou a dar boas vindas ao inverno que nos mostra a cara em pleno outono. Tudo bem. A natureza nunca foi muito dada a formalidades mesmo.
O inverno trouxe consigo chuva. E se as manhãs de domingo londrinenses costumeiramente não são muito movimentadas, parece que a fina receita da natureza para esse inverno (chuva + frio) deixou o domingo ainda mais calmo e ausente de pessoas.
Em casa reina a paz. Uma tranqüilidade gostosa. A chuva nos vidros, tudo em organizado e limpo. Pessoas conversando sobre amenidades e por vezes a paz sede lugar a uma gargalhada que denota alegria.
Sei que a maioria das pessoas considera dias de chuva depressivos. Pesquisas dizem que elas têm razão, que dias de chuva realmente provocam reações de tristeza na maioria das pessoas.
Pois eu gosto de dias de chuvas. Gosto da serenidade de sentimentos que estes dias me provocam. Nada de rompantes de felicidade e nada de rompantes de tristeza. Uma paz introspectiva... é dia de ficar sozinha ou com alguns amigos próximos e aproveitar para se conhecer melhor tanto a eles quanto a nós mesmos. É um dia para entrar em contato.
Pode parecer estranho, mas a ansiedade dificilmente vem me visitar em dias assim.
Fico tranquila e em paz no mundo que eu conheço. No meu mundo interior. Nos dias de chuva eu fico assim: sozinha em mim.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 6:37 PM
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Sábado, Maio 22, 2004
Caminho e caminhando desvendo as belezas do imenso jardim. Descubro as nele saberes e amigos. Olho as arvores, elas me passam segurança com sua postura serena de eternas imutáveis. Mas na verdade isto é apenas uma aparência capturada por um olhar menos atento. As arvores estão sempre mudando. A cada estação elas se revestem de cores, cheiros e texturas diferentes, e nem por isso perdem a sua serenidade.
Serenos também são os raios de Sol que gentilmente atravessam as copas das arvores e em uma belíssima dança de luz. A luz atravessando as folhas provoca uma sensação de leveza como se não mais estivéssemos andando na terra e sim por cima das nuvens.
Mas logo as nuvens encobrem os alegres raios de Sol e fazem chover nos lembrando de que estamos abaixo delas.
O imenso jardim continua belo porem agora o que as arvores deixam passar por entre suas folhas não é mais a luz do sol e sim pingos d'água dos mais diversos tamanhos e sempre geladas. Eles molham tudo, inclusive nós, estudantes que se atrevem pelo grande jardim em busca de saberes e amigos. Mas molhados isso já não parece tão importante, o que queremos é ir logo para casa tomar um banho quentinho e dormir gostoso enquanto o céu lá fora deixa gentilmente cair pequenos pedaços seus... como em um sonho.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 2:10 PM
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Segunda-feira, Maio 17, 2004
"Boa noite" você me diz.
Respondo com o mesmo cumprimento e logo em seguida ouço todo tipo de reclamação possível sobre o tempo que esfria, sobre o jornal que quase sangra de tão violento, sobre o sapato que aperta, sobre o elevador que demora, sobre qualquer coisa que tiver o azar de passar por perto de nós pelo caminho.
Mas você não havia, minutos antes, me desejado uma noite boa?
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Noite fria, gelada. Na rua poucas almas se arriscam no vento noturno.
Sozinha, na escuridão, só ouço meus passos ecoando noite afora assim como meus pensamentos.
Essa monotonia sonora é, por vezes, quebrada pelo som de algum veículo, que corta a noite com o som de seu motor, ou de outro passante com seus passos; passos estes que não mais ecoam sozinhos, pois, por alguns segundos, ecoaram junto aos meus.
Noite sem luar, e com muitas estrelas que parecem também congeladas no céu pelo vento gélido. Contudo seu brilho atravessa minhas retinas e aquece pensamentos que agora voam ainda mais longe. Frio não mais sinto, o caminhar já aqueceu meu corpo e as estrelas se encarregaram de aquecer o meu coração.
Meu passo é rápido e não se detêm em distrações, apesar de algumas espiadas nas constelaçoes. Constelaçoes perdidas, mas que guiam a nós, navegadores terrestres, ajudando a nos acharmos na imensidão do mundo.
Mais alguns minutos e atinjo o local para o qual me destino, deixando a noite órfão do eco de meus passos.
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
Trecho de "O Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro, retirado do blog Serching For Destiny.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 9:55 PM
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Domingo, Maio 09, 2004
O vento de outono soprou, sapeca, e derrubou as folhas das arvores. Soprou mais e trouxe chuva, muita chuva, para o mês de maio. Soprou ainda mais e trouxe o frio e um céu de um estonteante azul sem nuvens. Céu típico de inverno. Agora ele sopra frio fazendo os casacos saírem dos guarda-roupas e trazendo-os para a rua, aquecendo quem os veste.
Nas ruas e praças as pessoas procuram brechas de Sol entre as sombras dos prédios e arvores para se aquecer.
Nas casas as famílias se reúnem para comemorar uma dada tão arbitraria quanto importante na medida em que nos volta a atenção para uma figura imprecindível nas nossas vidas: Mãe!
Está ai outro lugar que procuramos para nos aquecer: abraço de mãe, casa de mãe, amor de mãe.
O mais gostoso de tudo é poder ver brilho nos olhos desta doce figura quando a abraçamos neste dia e falamos baixinho, porém com convicção: mamãe eu te amo!
E passamos o resto do dia unidos por uma grande alegria de saber que amamos e somos amados.
Tudo bem se amanhã vamos discutir de novo e ver que a aparente perfeição da família não dura mais que um dia... mas que importa? O importante é dizer as pessoas próximas o quanto ás amamos e como elas são importantes para nós. Nem que só façamos isso em uma data tão arbitraria quanto esta...
Eu te amo Mamãe.
Meus amigos eu amo vocês.
Para sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 10:06 PM
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Sábado, Maio 08, 2004
Choverá o dia todo, Chuva uniforme e ininterrupta. Nas ruas o que mais vemos são exemplos de solidariedade onde o amigo se encolhe por um lado e se molha um pouco mais por outro para poder nos acolher embaixo do seu guarda-chuva. Assim a paisagem é povoada com gotinhas de companheirismo e bom-humor para com a inusitada situação.
É noite e a chuva continua a cair. Neste momento amigos não faz parte do que vejo. O que ouço são pingos batendo à janela e uma deliciosa música. O que sinto é o aconchego de minha casa, o macio do tapete que me fez o irresistível convite para eu nele sentar.
Fico, assim, sozinha em paz curtindo um momento meu e que é, ao mesmo tempo, o desejo que todos tem em dias como este: ficar em casa, relaxando, só deixando-se levar pelo ritmo em que os pingos da chuva precipitam do céu.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 2:10 PM
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Alguns Pensamentos by _Maga
*Freqüência dos posts: Os posts deste blog são atualizados uma vez por semana, geralmente aos domingos
*Pensante:
Marcela Ortolan
*Nasceu em:
Pato Branco-Pr 14/12/1983
*Morou em:
Mariópolis-Pr (até 02/1997); Pato Branco-Pr (até 12/1999); Morrinhos-Go(até 02/2001); Goiania-Go(até 03/2001)Passou temporadas em Mauá da Serra-Pr (entre 10/2002 e 06/2004) e Xanxerê-Sc (entre 06/2004 e 04/2005) e Ponta Grossa-Pr (entre 04/2005 e 10/2006).
*Reside em:
Londrina-Pr
*Ocupação:
Psicologa e aprendiz da vida...
E-mail sigopalavras@hotmail.com
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