Sábado, Janeiro 29, 2005



O relógio, este implacável escravo do Tempo com seu tic tac
i-n-t-e-r-m-i-n-á-v-e-l
Nos faz deparar com a verdade imutável de que
O Tempo não nos pertence:
Ele simplesmente passa
E sempre com a mesma velocidade
Velocidade essa que as vezes nos parece rápida demais ou
e-x-a-g-e-r-a-d-a-m-e-n-t-e
lenta.
E por nossa vez nos tornamos escravos do escravo do Tempo
e cada tic tac do nosso senhor é uma chicotada
que recebemos
um dedo na ferida, cada vez mais funda e exposta,
cada vez mais enrugada,
enquanto outra ferida que carregamos no mesmo corpo
e que nos foi feita não com menos dor que a primeira
a essa o tic tac é um pingo de um
remédio cicatrizante
que ajuda a não doer.
Mas existe ainda uma dor que o Tempo cria & abranda
de um modo muito contraditório,
justo ele
o senhor dos senhores
o Tempo
parece sentir prazer ao brincar com esta dor tão peculiar.
Saudade.
Dor dilacerante e, ao mesmo tempo, doce.
Sim, a saudade é uma dor doce.
Desespera e, as vezes, parece confortar.
Sufoca.
Mas o que seriam das lembranças sem a saudade.
De que me serviriam as fotografias
as cartas...
meus pequenos tesouros
que de nada mais são que recordações de outros tempos
servindo para
provocar
invocar
intimar
a saudade?
Então te pergunto, meu amigo,
que mais é a saudade que uma
brincadeira do Tempo?
O Tempo que nos mostra nossa finitude,
mas que é infinito,
tão infinito quanto só o Tempo pode ser,
resolve brincar com a nossa finitude
como distração
da sua monotonia infinita.
Ai ai
Quantos suspiros ele me provoca enquanto brinca!
Eu saudosa por essência e existência
vivo a tentar entender a saudade...
até que desisto e me entrego a senti-la
(e o que mais se pode fazer com os sentimentos?)
doloridamente doce
nessa existência com fim.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 3:59 PM

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Domingo, Janeiro 09, 2005



Revendo velhas cartas de amigos presentes na vida, embora distantes no espaço e nas noticias, encontro resquícios de um tempo feliz - não que o atual não o seja, pelo contrário - o que as cartas me trazem são lembranças de um tempo com menos incertezas e um pouco mais de segurança nas minhas decisões e no futuro. A vida ligada a uma instituição é difícil contudo bem mais cofortável que uma vida onde as decisões cabem ao próprio individuo. No caso a mim mesma. É também mais confortável quando arrumamos desculpas como a falta de tempo ou de recursos. É quando nos descobrimos donos do nosso próprio tempo e recursos que os problemas se apresentam como realmente são. E lá vem a insegurança a ansiedade a dúvida e a percepção de como um vida inteira institucionalizada nos fez crescer em alguns aspectos mas nos deixou órfãos ao nos abandonar bruscamente frente a frente com o futuro carregando conosco apenas uma proeminente imaturidade.
Talvez ao ler estas linhas lhe ocorra perguntar se estou triste?. A resposta a é não, não estou triste, pois Sei que vou crescer mais um pouquinho com tudo isso. Mas desejaria não sentir tanto medo, não ser tão insegura. Ou, ao menos, não preocupar-me tanto com o futuro.
Quanto as cartas falo delas outro dia.

Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 1:04 AM

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Alguns Pensamentos by _Maga

*Freqüência dos posts: Os posts deste blog são atualizados uma vez por semana, geralmente aos domingos

*Pensante:
Marcela Ortolan
*Nasceu em:
Pato Branco-Pr 14/12/1983
*Morou em:
Mariópolis-Pr (até 02/1997); Pato Branco-Pr (até 12/1999); Morrinhos-Go(até 02/2001); Goiania-Go(até 03/2001)Passou temporadas em Mauá da Serra-Pr (entre 10/2002 e 06/2004) e Xanxerê-Sc (entre 06/2004 e 04/2005) e Ponta Grossa-Pr (entre 04/2005 e 10/2006).
*Reside em:
Londrina-Pr
*Ocupação:
Psicologa e aprendiz da vida...



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