Sábado, Fevereiro 26, 2005
Sol, calor e chuva à vontade: explosão de vida nos trópicos.
O filete de suor que escorre pelo meu pescoço dá uma idéia do estado de exaustão à que qualquer esforço físico deixa em meu corpo. O calor parece exigir uma pausa... movimentos lerdos... tudo cada vez mais lento... O calor como que toma a forma de algo gelatinoso, gorduroso, que impregna o ar tomando conta de tudo com sua onipresença incomoda, dificultando, assim, os movimentos. Engraçado mas é a mesma impressão que tive ao ler O Ateneu de Raul de Pompéia... essa sensação incomoda de algo gorduroso que impede de avançar foi o que ficou do livro.
E enquanto o calor pede preguiça, eu (felizmente) acelero. Claro que vez por outra dou um suspiro dolorido e deixo meu corpo cair em qualquer lugar onde possa repousar, abatido pelo cansaço que esse inimigo invisível e onipresente impõe àqueles que o desafiam com uma determinação inquebrantável... ou quase.
Contudo eu descobri um modo de atingir esse meu inimigo (que apesar de invisível não tem nada de anônimo, pelo contrário: é o mais citado nas conversas de elevador). Para atingi-lo fico indiferente a ele. E lá estou eu as 5:00h da tarde de um sábado de verão a Sol pleno, trajando uma beca preta em um ginásio lotado, todos ao meu redor com as mangas da beca arregaçadas e se abanando, e eu como se estivesse no mais leve dos vestidos. Pois não é que o Sr. Calor, sendo vaidoso que só, resolve me ignorar também e eu, depois de uma hora, continuo com as mangas no lugar e vez por outra ensaio me abanar para não parecer tão deslocada. Já se passaram alguns dias e eu e o calor já nem somos mais tão inimigos assim. Até que nos damos bem. Vez por outra o convido para um chá, que ambos saboreamos sem pressa já que nesta temperatura não corremos o risco de tomar um chá frio.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 3:03 PM
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Sábado, Fevereiro 12, 2005
Chove e uma neblina espessa impede que eu veja uma boa parte da cidade. Após uma semana de Sol intenso numa manhã ensolarada o sábado termina em uma aconchegante tarde chuvosa. Pela janela noite cai molhada e algumas luzes de natal insistem em ascender em meados de janeiro. Que mais posso dizer sobre a chuva que cai gostosa, esta minha companheira de tantas palavras?
Fico ouvindo o barulho doce que as gotas fazem ao encostar-se no vidro da janela.
Os carros passam apressados na rua parecem não perceber toda a intensidade mística, quase sagrada, que um dia cinza tem. A noite avança e a chuva continua, porém, agora com menor intensidade. Abro a janela para sentir a brisa noturna. Coloco a cabeça e metade do tronco para fora para assim melhor respirar o ar fresco.
Sinto alguns pingos perdidos caírem sobre mim. Nesta posição tão confortável o tempo parece parar, contudo, os minutos passam rapidamente enquanto me deixo embalar por alguns pensamentos soltos. Neste instante fecho os olhos para que os pensamentos fiquem mais livres e corram lentamente. Concentro-me no sentir o vento suave e os barulhos noturnos da cidade banhada pela chuva.
Fecho a janela e volto-me para a mesa onde me espera um chá com seu gosto quente e suave e um livro com suas bem escritas palavras que me seduziram grande parte do dia e agora estão novamente a me tentar.
Pois despeço-me com palavras de vocês, para poder, novamente, me entregar ao prazer da leitura.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 9:33 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005
Uma pequena alegria. Sim, sim. Tão pequena que tem que ser vivida devagar. Bem devagar. Se não escapa. Igual a um tablete de chocolate que dá vontade de comer bem depressa numa grande explosão de serotonina. E então se descobre que assim, depressa, não tem graça. Não tem explosão, nem nada. Chocolate é pra ser sorvido bem devagarzinho, ir se misturando com a saliva até deixar a boca o estomago, o cérebro, a vida... Tudo doce! Essa minha pequena alegria é assim igual a comer chocolate. Na verdade eu nunca tentei curtir diferente essa minha pequena alegria. Dá medo...Se acabar bem depressa, o que vai ser depois?
Assim eu vou lendo bem devagarzinho. Às vezes até re-leio alguns trechos. Em cada simples palavra encontro uma beleza profunda. Em cada pensamento concluído um quê que eu não posso alcançar e vem embalado de uma sensação gostosa, uma sensação que não se explica, mas que parece pequenas alegrias, misturadas com uma inundação de nostalgia, entremeadas por um quê de medo... Ah! Não sei...
"Como se visse alguém beber água e descobrisse que tinha sede, sede profunda e velha. Talvez fosse apenas falta de vida: estava vivendo menos do que podia e imaginava que sua sede pedisse inundações."(pg. 15, Trecho do livro Perto do Coração Selvagem, de autoria de Clarice Lispector)
"...aceito tudo o que vem de mim porque não tenho conehcimento das causas e é possivel que esteja pensando no vigal sem saber; essa é a minha maior humildade..." (pg. 16, Trecho do livro Perto do Coração Selvagem, de autoria de Clarice Lispector)
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 10:49 AM
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Alguns Pensamentos by _Maga
*Freqüência dos posts: Os posts deste blog são atualizados uma vez por semana, geralmente aos domingos
*Pensante:
Marcela Ortolan
*Nasceu em:
Pato Branco-Pr 14/12/1983
*Morou em:
Mariópolis-Pr (até 02/1997); Pato Branco-Pr (até 12/1999); Morrinhos-Go(até 02/2001); Goiania-Go(até 03/2001)Passou temporadas em Mauá da Serra-Pr (entre 10/2002 e 06/2004) e Xanxerê-Sc (entre 06/2004 e 04/2005) e Ponta Grossa-Pr (entre 04/2005 e 10/2006).
*Reside em:
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*Ocupação:
Psicologa e aprendiz da vida...
E-mail sigopalavras@hotmail.com
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