Domingo, Janeiro 29, 2006
Esta carta que chegou a mim
- A última de um século! -
Desdobrou-se em tantas que não pude conhecer seu conteúdo por completo.
Ela conta a história de uma feliz família
E sua felicidade era comparável a uma rosa
Porém, fugas - como a beleza da flor -
Foi a sua felicidade,
Dilacerada
Por fatais acontecimentos
- Qual o vento forte despedaça a bela flor -
Na casa, qualquer canto é lugar para contar um pouco desta tristeza.
Em cada idosa fala, uma carta.
Um monólogo nostálgico e cheio de sabedoria
A sabedoria peculiar que só a dor trás
A casa tão antiga e com ar sonhador
Se abriu em tantos segredos
Que é difícil contar...
Se algum dia essa carta chegar até ti
A leia com cuidado
Com a delicadeza necessária
No começo sua fluência parecerá difícil
Os personagens distantes de ti no tempo
Falaram de dores que te pareceram alheias
Mas não te enganes:
A humana dor, como a morte,
É atemporal
E tão inerente a ti, quanto a mim.
- Homenagem ao teatro: A Última Carta de Amor do Sec. XX. do grupo de teatro Cena 3.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 3:03 PM
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Sexta-feira, Janeiro 20, 2006
É difícil falar sobre a amizade, afinal cada um a vivencia de uma forma diferente e cada amigo é único, especial. Pois, sabendo disto falarei de um sentimento que não o sei como é em ti, mas que gostaria de alcançar com alguma destas palavras.
Sim, cinco anos se passaram e aqueles que vieram ao campus da UEL em busca de saberes encontram muito mais que isso. Encontram sorrisos cúmplices, olhares compreensivos, ombros amigos onde secar as lágrimas. Encontram pessoas que vindo dos mais diferentes lugares e com os mais diferentes objetivos se transformaram em uma acolhedora segunda família. Quantas pessoas conhecemos por este tempo?
Desde uma primeira fila (talvez a de matrícula) até este derradeiro momento, com certeza foram muitas. Algumas estão conosco desde o inicio, outras passaram breves por nós, outros foram se juntando a esta família durante o tempo que aqui estamos. Cada qual com seu jeito nos marcaram um pouco e dividiram conosco um pedaço desta aventura a que chamamos faculdade. E como foi bem dividida essa nossa faculdade. Demos risadas, muitas risadas, rimos, rimos, rimos... Que alegria é essa que nos invadia quando estávamos juntos? Riamos das dificuldades e das facilidades. Riamos nas festas, nos intervalos, riamos nos olhares cúmplices trocados durante a aula, riamos no ônibus, no calçadão, riamos de cansaço em frente ao computador, riamos do improvável, do impossível, do absurdo, riamos pela felicidade de ter alguém por perto com quem dividir o nosso riso e para quem éramos importantes, não importa que rindo ou chorando. E chorávamos também, ás vezes, pois passamos por momentos difíceis... muito difíceis e nestes momentos, em que nós sentíamos solitários na nossa dor, aprendemos a importância de se ter um amigo por perto que nos estendia a mão e dividia com nós as responsabilidades deste viver universitário.
Aconteceram, também, desentendimentos e por vezes magoamos a quem tanto nos ensinou. Por outras vezes fomos magoados e saiamos feridos desses encontros não tão bem acabados. E aprendemos. Principalmente aprendemos. Aprendemos a amar, a respeitar, a perdoar, a compartilhar e a dar valor aos nossos próximos. Desaprendemos velhos preconceitos para descobrir no outro um ser humano igual a nós.
Pessoas que tornaram esses cinco anos bem mais leves do que eles realmente foram, e que nos davam alegria em levantar todos os dias para poder encontrá-los. Mesmo as grandes filas pelas quais passamos, as quais a fome tornava ainda maior, ficavam pequenas quando ficávamos a contar histórias, a fazer deveres ou, simplesmente, a saborear a companhia daquela amizade.
Também temos as amizades que não estavam conosco o tempo todo, que eram de outras terras, mas que por vários momentos se fizeram presentes, por cartas, telefonemas, e-mails, pensamentos e pela saudade constante que levamos conosco dos que distante estão...
Quanto mais me ponho a falar sobre isso mais sinto que minha fala não pode alcançar nem um pouquinho que seja do que foi viver tudo isso junto a vocês, amigos.
Não importa que agora vamos nos separar de alguns, ou que de outros já nos separamos, pois de tudo sempre fica um pouco do amigo em nós. Eles sempre estão presentes nos nossos próprios gestos, no nosso modo de falar, de andar, de viver... Suas aprovações ou desaprovações guiam nosso caminho, mesmo que distante e, assim, levamos as amizades incorporadas em nós e sentimos saudades daquele olhar confidencial que tudo nos diz apenas pelo seu modo de piscar.
Foram cinco anos de uma amizade plena, sem tempo nem distancia que a atrapalhasse sabíamos bem nós que a hora chegaria em que uma presença, assim intensa, teria seu fim. Chegou a hora de nos despedirmos. Não porque esse sentimento teve seu fim, longe disso, mas porque alguma coisa muda e a despedida se faz necessária.
Para isso furto as palavras de um poeta, do qual desconheço o nome, para poder me despedir.
¿Adeus amigos meus
Devo partir, é sempre assim
Mas levo vocês
Uma saudade que não tem fim
Talvez fosse melhor eu nem me despedir
Afim de que vocês se lembrem mais de mim,
Amigos meus
Mas deixo o coração
E está canção
E a recordação de como é difícil dizer adeus
Adeus, adeus, adeus...
Adeus amigos meus
Tudo de bom para vocês
Felicidades
E até mais ver.¿
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 1:12 AM
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Domingo, Janeiro 15, 2006
Acabou. Simplesmente acabou. Uns dizem que eu deveria estar feliz. Outros que deveria estar triste. Ficou apenas essa sensação de vazio, que ainda não dá nem pra chamar de saudade...
Ficou essa falta de sentido... o que fazer?
Outro dia fiz aniversário. Mudou o número, mudou a idade. Agora eu olho pra mim e pergunto: como pode alguém com 22 anos ser tão feliz e tão triste ao mesmo tempo? Exatamente ao mesmo tempo?
O vazio só aumenta e deixa um sentimento de prostração perante a vida. Como alguém pode ser tão feliz e tão triste ao mesmo tempo?
Olho para o que fiz no último ano e vejo todo o sofrimento que infligi a mim e as pessoas que amo. Principalmente as pessoas que amo.
Acho que estou mais triste que feliz agora.
O lunar vazio aumenta, irá ele me engolir?
Deus me livre de mim.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 2:25 AM
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Domingo, Janeiro 08, 2006
Lendo sobre a vida dos poetas, não os invejo. Contudo isso alimenta uma antiga angustia e finalmente revela sua causa. Descubro que gostaria de viver uma vida com mais poesia.
Sentar a beira de um rio para com ele conversar, ou a mesa de um bar a conversar amistosamente com velhos amigos e outros, passantes.
Olhar para a gente humana e para a natureza e percerber... e me embrenhar... e desvendar seus mistérios... e, ainda mais, revelar esse mundo, este meu mundo, pelo poder sincero das palavras.
Poder este que as palavras a mim negam. Resta a mim este eu angustiado. Eu que só desejo uma vida com mais poesia.
Pensado & escrito por MARCELA ORTOLAN - 12:25 AM
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*Freqüência dos posts: Os posts deste blog são atualizados uma vez por semana, geralmente aos domingos
*Pensante:
Marcela Ortolan
*Nasceu em:
Pato Branco-Pr 14/12/1983
*Morou em:
Mariópolis-Pr (até 02/1997); Pato Branco-Pr (até 12/1999); Morrinhos-Go(até 02/2001); Goiania-Go(até 03/2001)Passou temporadas em Mauá da Serra-Pr (entre 10/2002 e 06/2004) e Xanxerê-Sc (entre 06/2004 e 04/2005) e Ponta Grossa-Pr (entre 04/2005 e 10/2006).
*Reside em:
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